Os Filmes

Destaque_Fellini

Sabe aquela história “quer que eu desenhe?”. Então, a real é que fica sempre mais fácil entender e estudar algo por meio de analogias. E, para isso, nada mais justo do que usar o maravilhoso mundo das artes. Se pensamos no universo cinematográfico – onde tudo tem cor, som – é mais forte ainda. Por isso resolvi fazer uma pesquisa da sétima arte, feita “sobre” e “por” italianos.

A trajetória é muito parecida com a do nosso cinema (digo brasileiro). Ele teve seu auge de popularidade entre os anos 50 e 70, no pós guerras (o gênero hegemônico na época eram as comédias populares, o que faz muito sentido se pensarmos que o mood depois de um período difícil era buscar algo leve, sem muita preocupação). No entanto, com o boom do capitalismo, o mercado local perdeu muita força para Hollywood (algo que também aconteceu em várias regiões do mundo). Isso significa que as décadas de 80 e 90 foram muito fracas, com destaque apenas para alguns filmes de arte. Ao longo dos anos, com a massificação da cultura americana e a difusão por meio da internet, os cinemas mais locais voltaram a ganhar força.

Aí que foi MEGA difícil selecionar somente alguns porque quando se trata de listas de filmes elas são infinitas. Por conta disso resolvi priorizar aqueles que falam sobre a Itália (direta ou indiretamente) e são dirigidos por italianos. No futuro posso fazer outros tópicos, mas acho justo começar com o essencial. Para quem não sabe, o país já foi um grande produtor cinematográfico. Cinecittà, por exemplo, obra realizada pelo regime fascista italiano, é um complexo de teatros e estúdios situados na periferia oriental de Roma. Foi nos anos 50 que se estabeleceu como um dos estúdios mais importantes do mundo, recebendo a produção de películas americanas como Quo Vadis e Ben Hur. A popularidade e força dos estúdios romanos era tão grande, que ele recebeu o título informal de “Hollywood no Tibre“. Nos anos 90 foi privatizado e profundamente modificado para o novo mercado tecnológico, quando perdeu muito da sua força internacional.

Busquei incluir filmes de gêneros diferentes: drama, romance, policial, comédia, documental, além de dividi-los em 3 grupos: CLÁSSICOS, que incluem a época áurea da produção italiana, bem como os remanescentes pós anos 80; ANOS 2000, que considerei como um período de retomada e  ATUAIS, que são as produções mais recentes, ainda em interpretação vigente.

 

CLÁSSICOS

Ladrões de Bicicleta (Ladri di Biciclette)

Ano: 1948
Diretor: Vittorio De Sica
Temática central: pós-guerra (drama)
Belo exemplo do neo-realismo italiano. Se passa em Roma e foi um dos primeiros longas-metragens a vencer o Oscar de melhor filme estrangeiro (na época ainda nem era uma categoria no prêmio). O filme ilustra a situação de muitos italianos que, depois da guerra, estavam desempregados.

 

A Doce Vida (La Dolce Vita)

Ano: 1960
Diretor: Federino Fellini
Temática central: pós-guerra (drama)
Também ambientado em Roma, é tido como um marco da transição do estilo neorrealismo para o simbolismo, sendo um marco na história do cinema e obra-prima do diretor. As principais características são a imagem em preto-e-branco, as sequências noturnas que flertam com o cinema noir e com o expressionismo alemão, os cenários festivos e os altos contrastes de luz/sombra. O enredo caminha como uma crítica direta à sociedade no pós-guerra, retratando uma instituição decadente e hedonista, marcada pela superficialidade e incomunicabilidade.

 

A Vida é Bela (La Vita è Bella)

Ano: 1997
Diretor: Roberto Benigni
Temática central: Segunda Guerra (drama, comédia)
Escrito, realizado e protagonizado por Benigni, permitiu a consagração internacional do mesmo não só como um cómico versátil, mas também como um hábil e imaginativo contador de histórias. O filme foi vencedor de três prêmios Oscar: melhor filme estrangeiro, melhor ator protagonista e melhor trilha sonora. Retrata de maneira humorada, leve e com romantismo um momento triste da história humana.

 

ANOS 2000

Cem Passos (I Cento Passi)

Ano: 2000
Diretor: Marco Tullio Giordana
Temática central: máfia siciliana (drama)
É uma grande homenagem sobre a vida de Giuseppe “Peppino” Impastato, um ativista que lutou contra a máfia na Sicília. Se passa no sul da Itália, em Cinisi, na província de Palermo, cidade natal da família Impastato. O nome “cem passos” é uma alusão à distância da casa da família até a do chefão da máfia.

 

A Melhor Juventude (La Meglio Gioventù)

Ano: 2004
Diretor: Marco Tullio Giordana
Temática central: retrato de uma geração (drama)
É a história de uma saga familiar italiana do fim dos anos 60 até aos nossos dias, ou seja, ao longo de quase 40 anos. No centro a história de dois irmãos. Nesse desenrolar da vida dos personagens, conta-se também a história da sociedade Italiana, as relações sociais, familiares e afetivas, com seus espaços físicos, sociais e culturais, passando por vários lugares: Florença, Milão, Roma, Turim. Com duração aproximada de seis horas, é exibido em duas partes.

 

ATUAIS

Gomorra (Gomorra)

Ano: 2008
Diretor: Matteo Garrone
Temática central: máfia (policial)
É baseado no livro Gomorra de Roberto Saviano. Mostra várias histórias paralelas sobre a máfia napolitana – a Camorra – e a relação com drogas, armas, violência, indústria têxtil e falsificação de produtos.

 

Bem-vindo ao Sul (Benvenuti al Sud)

Ano: 2010
Diretor: Luca Miniero
Temática central: preconceitos entre regiões da Itália (comédia)
É um remake do francês A Riviera não é aqui. Na versão italiana expõe ao ridículo as rivalidades e preconceitos típicos entre as várias zonas do mesmo país, principalmente entre os apelidados polentone (norte) e terrone (sul).

 

A Grande Beleza (La Grande Bellezza)

Ano: 2013
Diretor: Paolo Sorrentino
Temática central: reflexão da desilusão e crítica ao culto do belo (drama, comédia)
Uma profusão: provocante, divertido, com grande impacto visual e diálogos intensos. Roma vira uma metáfora do deslumbre: realidade e fantasia, passado e presente, sacro e profano, esquisitices, bizarrices e estranhezas flertam de modo atual com pitadas de Fellini. Traz também momentos de reflexão, provocação e grande sarcasmo. A sociedade é massacrada por críticas ácidas. Premiado e com várias indicações, entre elas de Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

bibi

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