O Café

Destaque_Sobre(viver) na Itália_Café

Esse é um tema amado e que faz parte da minha vida. O café é quase uma ODE às amizades e aos bons momentos. Sim, já sei que praticamente ninguém vira amante de cara dele. Mas ouso justificar, na minha ínfima sabedoria palativa, que provavelmente isso acontece porque ele possui um gosto que flerta com o amargo. E digamos que isso não é para os fracos. Já que paladares infantis vão achar perda de tempo. Mas de volta para a ODE – resolvi chamar assim – porque se pararmos para pensar, o café sempre embala bons momentos das nossas vidas, principalmente no dia-a-dia, o que é mais importante: dando aquele tchan de manhã, quando se é “abraçado” por uma xícara; na pausa nos estudos e no trabalho, já que ninguém é de ferro; botando a conversa em dia com aquele amigo que a gente gosta tanto; passando a tarde de domingo com a família; aguentando uma fila de espera com um cafezinho na mão… ao menos sentindo aquele cheirinho que nos reconforta de qualquer perrengue…

Toda essa brisa para chegar no “way of life” do café italiano. Mas e aí, não é tudo igual? Não, not, JAMAIS. Aliás, exatamente por ser uma bebida tão conectada com os hábitos sociais das pessoas ela muda muito de perfil em cada lugar que é consumida. E sabemos de outros carnavais que café aqui – digo Itália – é ouro. OS ITALIANOS AMAM, E MUITO. Na semana passada, com a triste notícia da morte de Renato Bialetti, achei que era o momento para desenrola esse tema. Ele foi responsável por tornar famosa mundo afora a cafeteira MOKA, criada pelo seu pai Alfonso Bialleti, durante os anos 30. Hoje em dia várias marcas fazem modelos derivados, mas o original é somente uma, apelidada carinhosamente de Bialetti, o nome da marca. A fábrica chegou a produzir 18 mil unidades por dia, o que garantia uma produção anual de 4 milhões (se estima que dos anos 50 até hoje foram vendidas mais de 300 milhões de peças). Em 1986 os negócios da família foram vendidos, e hoje a marca se encontra inclusive cotada na Bolsa de Valores. A ilustração abaixo – figura inspirada na imagem e semelhança de Renato – mostra o desenho que virou marca registra do produto:

Ilustração do arquivo histórico da Bialetti
Fonte: arquivo histórico da Bialetti

Para você não pagar nenhum mico em Milão pedindo um pingado (eles não fazem ideia da existência dessa nossa maravilha aqui), abaixo dividi algumas informações importantes, valorizadas e seguidas pelos italianos:

INFLUÊNCIAS

_Mãos do barista: o como é feito, a técnica utilizada, o conhecimento do café – e suas particularidades – e, why not, a relação com os clientes, são decisivos para a produção de uma bela dose.
_A qualidade do grão e do leite: os grãos, que vem de diversos países (inclusive o Brasil) e são comercializados por marcas locais conhecidas internacionalmente – como Lavazza, Illy, Vergnano – precisam ser de boa qualidade, bem como o leite. Produtos meia boca produzirão cafés meia boca.

QUANDO BEBER

Em geral o consumo se dá de duas formas: no CAFÉ DA MANHÃ (em italiano colazione), quando as pessoas pedem um expresso ou cappuccino, geralmente acompanhado de algo doce para comer (sim, é estranho, mas eles dificilmente comem algo salgado pela manhã); no ALMOÇO (em italiano pranzo), quando se bebe um expresso depois da refeição. Em QUALQUER HORA DURANTE O DIA, no bar, em casa ou no trabalho, aquela pausa estratégica para o café é sempre bem-vinda.

*MAS ATENÇÃO – segundo o livro sagrado dos bons costumes italianos – depois das 11am é proibido beber qualquer coisa com leite, inclusive o cappuccino (eu costumo burlar sempre, peço um cappuccio – como eles dizem – que para mim cai bem o dia todo <3).

OPÇÕES

Em geral,  na maioria dos lugares você vai encontrar as seguintes opções (salvo pequenas variações):

_CAFFÈ (também chamado de NORMALE e/ou ESPRESSO – sim, em italiano a palavra é com S e não X)
Mais curto que o nosso e com um sabor intenso. Esqueça o café estilo americano, aguado. Aqui é uma blasfêmia.

_CAFFÈ LUNGO
O mesmo expresso, com um pouco mais de água, de sabor mais leve.

_CAFFÈ RISTRETTO
Expresso novamente, aqui com menos água, de sabor mais intenso.

_DOPPIO
Duas doses de expresso em uma única xícara (com a mesma quantidade de água de um normal). É cafeína para ninguém botar defeito.

_CAPPUCCINO
Esqueça misturinhas em pó. NEVER. A versão italiana é feita com o equilíbrio perfeito de 3 partes iguais: 1/3 de café + 1/3 de leite cremoso + 1/3 de espuma de leite. Os mais moderninhos podem perguntar se você quer uma pitada de cacau ou canela em cima. Mas é isso.

_CAFFÈ MACCHIATO (caldo o freddo)
Pode ser consumido quente – no inverno – ou frio – no verão – é servido com uma “mancha” de leite levemente cremoso.

_CAFFÈ CON SCHIUMA
Apenas uma espuminha na superfície do expresso. Perfeito para quem quer cometer uma “meia” blasfêmia e pedir algo com leite depois do almoço, mas sem chocar tanto o ego do italiano.

_CAFFÈ CORRETTO
É um expresso com a adição de uma dose de grappa (digamos ser a “cachaça” italiana) ou outra bebida alcóolica.

_CAFFÈ AMERICANO
Com muito mais água (pare eles MUITA), o famoso “chafé”. Não é uma tradição italiana, mas foi incorporada ao menu graças aos turistas.

_CAFFÈ DECA
A opção descafeinada, para quem curte o rolê.

_CAFFÈ CON PANNA
Adivinha? Chantilly por cima. Porque creme de leite é amor.

_MARROCCHINO
Um montado (geralmente é uma xícara diferente de vidro) invertido, onde primeiro vem a espuma de leite e depois o café, finalizado com cacau em pó.

_SHAKERATO
Infalível no verão: café com gelo agitado no shake. Servido no copo do drink Cosmopolitan. Puro glamour.

_GRANITA DI CAFFÈ
GENTE, basicamente uma raspinha gostosa de café. Não tem como não amar.

_AFFOGATO
Pegue um lugar que faz café foda + junte com um lugar foda na produção de gelatto (ou sorvete, para os iniciantes) e voilà: um expresso delícia com uma bola de sorvete “fior di latte” (basicamente creme de leite) afogando.

_ORZO
O café que não é café, feito com orzo, produto típico italiano que não tem cafeína. Entrou na nossa lista por ser recorrente nos cardápios e uma alternativa que a galera por aqui aprecia (eu, particularmente, acho bem ruinzinho – mas abafa).

ONDE

No bar ou no café a qualquer hora, e você pode escolher entre a mesa ou balcão (lembra-se que na mesa tem sempre o serviço, então geralmente o preço é um pouco maior – mas com tantas paisagens lindas na Itália, muitas vezes vale a pena pagar e apreciar o horizonte). No restaurante depois do almoço ou – para os mais ousados e ligadões – depois da janta. E em casa – sempre – de preferência com a linda MOKA <3 ou com as cápsulas que estão invadindo o mundo. Digamos que café coado e prensa francesa vai ser mais difícil achar aqui.

Para terminar com todo o amor necessário, um vídeo do Alberto Alessi, neto por parte de mãe do Alfonso Bialetti, onde ele mostra diferentes versões do objeto e a “evolução” dessa cafeteira:

bibi

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