Quando a Moda é Cultura

Crédito da imagem: Federico Garza González

Mesmo sendo lembrada como centro da moda e do design de móveis, Milão não é reconhecida pela arte contemporânea ou por exposições que atraem platéias internacionais. Então vamos desconstruir essa ideia aí amiguinho. Aproveitando que hoje acaba a Milano Fashion Week, falaremos sobre o rolê da moda na cidade. Mas dessa vez nada de compras e afins. Vou contar um pouquinho para vocês sobre o giro cultural da moda (ou percurso? ou caminho? Enfim, podem nomear como acharem mais bacana <3). Do tipo, museus e fundações para quem curte o assunto não somente na sua pseudo frivolidade e consumo, mas na sua riqueza em si. Vambora! 

 

Fondazione Prada 

Não se trata de um museu propriamente dito, e não fala diretamente de moda. Então porque está aqui? O lugar é uma fundação privada/museu público/galeria de arte (QUE?) que possui a filosofia de que a arte alimenta muitas coisas, inclusive o mundo da moda. O projeto foi concebido pela “cabeça” do grupo homônimo, a genial Miuccia Prada. Há mais de 20 anos promovendo exposições em armazéns e igrejas abandonadas, em 2011 abriu seu primeiro centro em Veneza. Depois foi a vez de Milão: com ideias sempre focadas em uma Itália moderna e contemporânea, muito além dos clichês turísticos.

A experiência começa no modo como foi pensado o espaço: o local era uma antiga destilaria localizada em um bairro industrial decadente. O amplo complexo foi concebido em parceria com o escritório criativo OMA, do arquiteto holandês Rem Koolhaas: possui quase 11.000 mde espaço para exposições. Levou sete anos para ficar pronto, e apresenta uma mistura de edifícios antigos com novas estruturas, incluindo imóveis industriais justapostos com recentes construções (uma interação permanente e sem distinção de passado e presente). Os detalhes são preciosos: as escadarias de metal, as paredes de cimento, um dos prédios é dourado, um dos muros externos é inteiro revestido por espelho, muito vidro, concreto branco e alumínio. A vista a céu aberto e os “vazios” são constantes na paisagem.

É composta com o próprio acervo artístico da instituição (principalmente com obras dos anos 1950 até hoje), mas conta também com trabalhos cedidos por 40 museus. Ali estão expostas dezenas de obras, incluindo pinturas, fotos, desenhos, instalações e esculturas, que vão de jovens designers da École Nationale Supérieure d’Architecture de Versailles ao renomado curador Salvatore Settis. O espaço inclui um teatro/cinema, um centro para crianças e uma grande biblioteca. Completa a gama o badalado bar milanês Luce concebido à moda antiga pelo cineasta Wes Anderson.

INAUGURAÇÃO: maio de 2015
ENDEREÇO: 
Largo Isarco, 2 – Milano
FUNCIONAMENTO: fecha às terças-feiras. Segunda-feira, quarta-feira e quinta feira das 10h às 19h. Sexta-feira à domingo das 10h às 21h
PREÇO: 10 euros (inteiro) e 8 euros (reduzido). Gratuito para menores de 18, maiores de 65 e portadores de deficiência

 

Armani/Silos

O nome “Silos” vem da história do espaço – antigo depósito industrial de cereais da Nestlé. O projeto de restauração e requalificação foi feito em poucos meses e preserva as características originais dessa construção dos anos 50. Se estima um investimento de 50 milhões de euros, que ampliou definitivamente a sede da marca inclusive com novas ocupações. O museu foi criado por Giorgio Armani para abrigar parte de seu gigante acervo. Ao todo, são expostos 600 peças de roupa e 200 acessórios selecionados dos desfiles de 1980 até hoje, em mais de 40 anos de coleções. Na entrada se vê um vestido estampado com o seu rosto. Com mais de 4.000 m2, possui 40 salas divididas por áreas temáticas em quatro andares: vestidos diurnos, exotismo, cromatismo, luz e arquivo digital. O Ambiente comporta também um restaurante e uma livraria, além de salas de reunião. É possível observar não somente os famosos casacos, mas peças neutras e coloridas, além de jogos de luz e transparências das criações femininas e algumas masculinas. O último andar guarda maravilhosas criações de bordados e cristais, além do arquivo digital que engloba 2.000 peças entre vídeos, fotos e croquis.

INAUGURAÇÃO: abril de 2015
ENDEREÇO: Via Bergognone, 40 – Milano
FUNCIONAMENTO:
 fechados às segunda-feiras e terças-feiras. De quarta-feira à domingo das 11h às 19h
PREÇO: 12 euros (inteiro), 15 euros (inteiro + audio guide) e 8,40 euros (reduzido)

 

Palazzo Morando

Um museu público totalmente dedicado à moda, à imagem e ao costume. Localizado no coração da cidade, no famoso “Quadrilatero della moda”. Se encontra em um prédio do século XVIII, o Palazzo Morando, onde antes era o Museu da Cidade e de História Contemporânea. O espaço foi transformado para ser uma “passarela permanente” de 2.000 m2 nos quais “desfilam” inúmeras exposições que vão desde acervo de tecidos, mostras temáticas, passando por vestidos e acessórios conservados nas coleções cívicas de artes aplicadas do Castelo Sforzesco.

INAUGURAÇÃO: março de 2010
ENDEREÇO: Via Sant’Andrea, 6 – Milano
FUNCIONAMENTO: fechado às segundas-feiras. De terça-feira à domingo das 9h às 13h e das 14h às 17h30
PREÇO: 5 euros (inteiro) e 3 euros (reduzido). Gratuito para menores de 18 anos. Entrada liberada todos os dias de abertura uma hora antes do fechamento e as terças-feiras a partir das 14h

 

Nas redondezas

 

Museo della Moda e del Costume

Fica na cidade de Brescia, localizada entre dois lagos (Iseo e Garda) e com uma distância média de 100km de Milão. Possui uma ampla coleção de cerca de 5.000 peças entre vestidos, acessórios, jóias e enxoval de cama/mesa/banho. Em geral são objetos que mostram as mudanças estéticas de cada época e a sua evolução ao longo dos anos. O museu se divide em inúmeras partes: a primeira dedicada à evolução da moda nos séculos XVI e XVII, a segunda expõe vestidos e acessórios da cerimônia, seguido da coleção lingeries e peças íntimas. Uma outra seção é totalmente dedicada à biancheria de casa a aos objetos ligados ao trabalho doméstico. A última sala é reservada ao universo infantil com a exposição de roupas e brinquedos.

ENDEREÇO:
Via Giammaria Mazzucchelli, 2 – Ciliverghe di Mazzano – Brescia 
FUNCIONAMENTO: terça-feira à sexta-feira das 9h às 14h30. Domingo e feriados das 15h às 18. Outros dias somente mediante reserva
PREÇO: sob consulta

 

Museo del Tessuto

Localizado em Como, cidade famosa pelo seu lago. Há mais ou menos 50km da Milão, é um pretexto para juntar um passeio lindo com conhecimento de moda. Esse museu do tecido conta hoje com uma coleção de mais de 3.300 amostras individuais, e mais de 2500 livros-mostruários que, juntos, ilustram a história do tecido entre os séculos III e XX. A origem do recolhimento das peças remonta à Antonio Ratti (que foi um empresário italiano do segmento das sedas), já que desde sempre materiais de épocas passadas serviram de inspiração para criações contemporâneas. O acervo começou a ser feito no fim dos anos 50 por meio da aquisição de achados individuais ou de inteiras coleções e arquivos de empresas, incluindo peças internacionais.

INAUGURAÇÃO: 1998
ENDEREÇO:
Via Cernobbio, 19 – Como
FUNCIONAMENTO: mediante agendamento pelo e-mail info@fondazioneratti.org 
 ou pelo telefone +39 031.3384976
PREÇO: 10 euros (inteiro)

 

Museo della Seta

Também em Como, acolhe uma coleção de um tipo de tecido que foi muito importante para a cidade: a seda. Graças à algumas associações locais que recuperavam objetos e artefatos históricos das fábricas têxteis, em desuso desde o final dos ano 80. Com um espaço de 1.000 m2, ali é possível observar todo o processo produtivo, fase por fase, a fim de permitir que qualquer um possa reunir informações e entender o nascimento e construção desse delicado tecido.

INAUGURAÇÃO: 1990
ENDEREÇO:
Via Castelnuovo, 9 – Como 
FUNCIONAMENTO: fecha às segundas-feiras. Das terça-feiras às sexta-feiras das 10h às 18h. Sábado das 10h às 13h. Domingo e feriado mediante agendamento.
PREÇO: 10 euros (inteira) e de 7 a 3,5o euros (reduzida)

 

Não rolou viajar?

Curte passeios culturais e “as modas”, mas a grana está curta para uma passagem agora? Não tem problema, temos um prêmio de consolação especialmente para você, o Valentino Garavani Virtual Museum. O estilista Valentino (nascido em uma pequena cidade chamada Voghera, pertinho da capital dos milaneses) criou um gigante museu virtual. Além dos vestidos em 360 graus, é possível ver vídeos, fotos, desenhos, documentos e campanhas publicitárias, tudo acompanhado com explicações e o histórico dos modelos. Se fosse instalado em um prédio real, ele teria cerca de 10.000 metros quadrados. Até que dá para saciar a vontade, vai?

bibi

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